Lula 52,3 milhões:Início de novo tempo
A questão política:


Textos de Paulo Cannabrava Filho*

Introdução Início Cenário
internacional
Crise econômica Saídas para o
desenvolvimento
Conclusão
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A mídia manteve a esperança do voto anti-Lula até o último momento Passada a euforia da espetacular vitória de Lula nos dois turnos das eleições de outubro impõem-se momentos de reflexão. O buraco cavado nos doze anos de domínio fernandista (1990 - 2002) - de Fernando Collor de Melo e Fernando Henrique Cardoso - ficou muito fundo e não vai ser fácil sair dele no curto prazo. Numa previsão otimista, seriam necessários pelo menos dez anos para o Brasil voltar a apresentar indicadores econômicos compatíveis aos do início de década de 1980. Realisticamente, talvez sejam necessários pelo menos 15 anos

Passada a euforia, impõem-se a reflexão

Não se trata de uma constatação catastrofista com fins eleitoreiros, pois a eleição já foi. É preocupação real diante da grande expectativa dos milhões de eleitores que depositaram suas esperanças na candidatura de Luís Inácio (Lula) da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT).

Durante a campanha eleitoral, nos dois turnos, o que se viu foi uma farsa psicossocial. Foi uma representação induzindo ao logro, com raras exceções, assim mesmo no âmbito dos candidatos sem chance.

 Ciro Gomes, por exemplo, ex-governador do estado do Ceará, ex-ministro da Fazenda no Governo de Itamar Franco (1999) candidato de uma coligação de partidos de oposição – Partido Popular Socialista (PPS – ex-comunista); o social democrata Partido Democrático Trabalhista (PDT), além do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Ciro entrou no páreo com belo desempenho, caiu logo para o grupo dos sem chance, porque não foi capaz de se conduzir como farsa. Revelou logo que não tinha escopo. 

O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), do presidente Fernando Henrique Cardoso, lançou para sua sucessão a candidatura de José Serra, político originário das lutas democráticas das décadas de 1960/70/80, que foi ministro do Planejamento e em seguida ministro da Saúde. Mas não conseguiu o apoio consensual de todos os partidos que compuseram a base governista: Partido da Frente Liberal (PFL), Partido do Movimento Democrático (PMDB) e Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

Resultado das eleições de outubro

A perplexidade desarmou as elites
deixando-as sem candidato
à Presidência da República

 Os anos de desgoverno da era fernandista levaram tal perplexidade às elites que ficaram desarmadas para disputar a contento o pleito de outubro. Alguns comentaristas políticos aplaudiram o fato de Fernando Henrique, em sua maior façanha, a que definitivamente o colocará na história, ter conseguido levar junto consigo à sepultura política, lideranças das mais cavernícolas do país, como Antonio Carlos Magalhães (PFL), ex-governador da Bahia e ex-senador; e Paulo Maluf (PPB – Partido Progressista Brasileiro), ex-governador de São Paulo; José Sarney (PMDB), ex-governador do Maranhão, ex-presidente da República e senador, para citar apenas as mais notórias. Lideranças que serviram fielmente à ditadura militar e continuaram no poder.

 Essa é também uma conclusão precipitada que está sendo empurrada pela mídia. Nem Sarney, nem Magalhães, nem Maluf perderam a majestade. O pior desempenho entre eles foi o de Maluf, que teve 20% dos votos. E nem Leonel Brizola, ex-governador do Rio Grande do Sul e duas vezes do Rio de Janeiro e atual presidente do PDT, pode ser colocado no mesmo saco. Sua história de resistência democrática o faz merecedor de respeito.  O que aconteceu de mais trágico em outubro, no entanto, que foi a eleição de Rosinha no Rio de Janeiro, não mereceu destaque na mídia, e sim a baixa votação de Brizola, candidato derrotado ao Senado. Rosinha é esposa do governador Anthony Garotinho que renunciou ao governo para candidatar-se à Presidência e que com a eleição da mulher deverá voltar a governar o Rio indiretamente.

 O PFL se preparava para o poder

 O PFL, preparando-se há anos para ser o maior partido do país e para governar, sequer conseguiu apresentar um candidato a Presidência da República. Quem eles tinham para apresentar? Roseane? (filha de José Sarney e governadora do Maranhão). Espiridião Amim? (dirigente do PPB, ex-governador de Santa Catarina). ACM? (Antonio Carlos Magalhães). Com que roupa? Fosse o que fosse que tirassem do guarda-roupa estaria com a lama e o cheiro da era fernandista. Uma conjuntura realmente desfavorável. Não obstante, a elite brasileira há 500 anos vem demonstrando uma imensa capacidade de recuperação. Não se pode subestimá-la.

 A direita sonha com o bi-partidarismo

 O projeto estratégico do PFL não foi enterrado. O frentão “governista” (PFL, PSDB com setores do PMDB, e de outros partidos menores), quer reproduzir aqui o modelo de alternância no poder consagrado nos Estados Unidos, que assegura a continuidade do modelo econômico e a hegemonia dos grupos submissos ao capital internacional. É para ser avaliado o quanto esse projeto é favorecido pela presença de 40 partidos no espectro político partidário nacional, onde a maior fragmentação se dá precisamente nas hostes da esquerda. Pouco se fala aqui que nos Estados Unidos também existem mais de 40 partidos e que sequer é o voto popular majoritário que decide uma eleição.

 Há quem acredite que houve fraude

 O establishment não acreditava que Lula explodisse eleitoralmente. Por isso queriam-no no segundo turno. A maior preocupação de Brizola, gato escaldado, era com a possibilidade de fraude.  “As urnas eletrônicas são violáveis” - advertia. Às vésperas do pleito as pesquisas confirmavam que a explosão de votos favoráveis a Lula lhe daria a vitória no primeiro turno. Veio a apuração, deu segundo turno. Carlos Chagas, jornalista da velha guarda, fez os cálculos e pergunta: “como é possível que o PT tenha elegido bancadas majoritárias em todos os âmbitos, correspondendo aos resultados das pesquisas, e que Lula tendo sido o grande puxador de votos, não tenha acompanhado esses resultados?” Fica aí uma dúvida praticamente insolúvel. Como recontar os votos da urna eletrônica?

Nem Lula nem ninguém
poderia ser pior
que o pior dos Fernandos: FHC

 Deu-se nesta eleição exatamente o contrário do que ocorrera em todas as realizadas depois de 1988.  Nelas, o que quer que fosse apresentado como anti-Lula, até mesmo um poste, ganharia. Ninguém tem dúvida de que foi essa aposta maniqueísta que elegeu os Fernandos. Nesta última, no entanto, o feitiço virou contra o feiticeiro. Desta vez, na cabeça do eleitor, nem Lula nem ninguém poderiam ser pior que o pior dos Fernandos: FHC. O resto foi o marketing que fez.

FHC era quase unanimidade nacional

FHC, eleito em 1994, assumiu em janeiro de 1995 quase como uma unanimidade nacional. O PSDB, apesar de minoritário, fez aliança com o PFL, a segunda maior bancada, e com o PMDB. Também teve o apoio dos governadores de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo (60% do PIB). O que se pôde ver nessa eleição, é o grande declínio do PFL e do PMDB. O PFL que governava nove estados, só conseguiu eleger o governador da Bahia, e o PMDB, apesar de eleger nove governadores, já se encontrava em turbulência prenunciando um grande racha. Na última eleição o PMDB se dividiu entre governistas e oposicionistas confrontando as grandes lideranças. José Sarney no Norte, Itamar Franco em Minas Gerais, Orestes Quércia em São Paulo, expressivos dirigentes do partido, apoiaram Lula. Dificilmente o PMDB voltará a mostrar unidade. O PT terá de trabalhar o apoio fragmentado das diversas agrupações políticas, o que dificulta o processo.

 Desde 1994 o PT é o partido que mais cresce

 Na eleição de 1994, o PT, com Lula, foi o partido que mais cresceu. Pela primeira vez elegeu dois governadores, 46 deputados federais (o dobro que na legislatura anterior) e quatro senadores. O PT entra em 2003 como o maior partido nacional; foi reduzida a bancada ruralista; os partidos da chamada oposição (PT, PST, PPS, PSB, PCdoB, PV e PMN) somam 167 cadeiras na Câmara.  Os otimistas calculam que, se o PL e o PTB se mantiverem fieis à proposta de campanha, esse número pode chegar a 219 cadeiras, faltando só 38 para alcançar os 257 da metade mais um, ou 89 para fechar os dois terços. Esses são os fatos mais importantes dessas eleições. Mas, o PTB, o PFL e o PMDB ainda há pouco estavam na base aliada do fernandato.

A tradição conspiratória da UDN
deve ser sempre lembrada

 Não dá para fazer esses cálculos eleitorais sem compará-los com outros períodos de nossa história. O espectro político construído na era Vargas (1930-1954) apresentava quatro grandes partidos e dez de menor porte, alguns destes com forte expressão regional. O Partido Social Democrata (PSD) era caracterizado como centro, com discurso desenvolvimentista e social-democrata, tinha um forte componente conservador ruralista em convivência com setores urbanos modernos. Era o maior partido. O segundo maior partido era a União Democrática Nacional (UDN), de direita – com discurso moralizador, aglutinava o que havia de mais reacionário (usineiros do Nordeste) no campo e setores de classe média ascendente e alguns intelectuais na área urbana. Abrigava jornalistas de grande influência como Júlio de Mesquita Filho, proprietário do jornal O Estado de São Paulo, e Carlos Lacerda, da Tribuna de Imprensa, diário do Rio de Janeiro. O terceiro, o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), com fortes vínculos com o movimento sindical e discurso reformista, havia sido formado sob inspiração do próprio Vargas

Em aliança com o PTB governou o Brasil com Dutra (1946 – 1950); com Vargas (1950 – 1954); com Juscelino Kubitchek (1955 – 1960) e com João Goulart (1961 – 1964). Durante todo esse tempo o PTB cresceu e a UDN conspirou. Desenvolveu uma verdadeira cultura conspiratória e uma tradição golpista no país.

 Jânio e Collor tinham os votos
que a UDN, por não tê-los, precisava

 Nossas elites se especializaram em demonizar líderes com votos e em criar fantoches com votos. Jânio Quadros e Fernando Collor são expressões de um mesmo conteúdo político e psicossocial. Quem não sabia que Jânio era alcoólatra em altíssimo grau, emocionalmente instável e com vocação ditatorial? Mas ele tinha os votos que a UDN precisava para justificar-se no poder.  Quem, no meio político, não sabia que Collor era viciado em droga, um desequilibrado? Mas ele tinha os votos que a UDN precisava para justificar-se no poder.

 É impressionante como a história se repete e, sempre como farsa. A mesma UDN que deu o golpe em Jânio em 1961 deu o golpe em Collor em 1991, e deu outro golpe em 1998 quando comprou os votos que garantiram a reeleição de FHC.

 Quem é mais UDN nos dias de hoje?

 Quem é mais UDN nos dias de hoje: o PFL ou o PSDB? Ambos parecem reencarnar o espírito udenista. O PSDB inclusive tem setores que até fazem lembrar a “esquerda” da UDN. O surgimento de Fernando Henrique – charmoso, culto, inteligente - foi a glória para a UDN. Afinal, um udenista de cepa e, o que era mais incrível, com votos, chegou ao poder. E chegou com muitos votos de eleitores convencidos de que estavam votando num homem de esquerda.

 Aqui se destaca uma característica da cultura brasileira no seu estado atual. Gente mal preparada por universidades que há muito perderam a universalidade. A cultura da Lei de Gerson (lei do leva vantagem) e do conhecimento adquirido por ouvir falar, por ler na mídia, no almanaque, ver na tv Globo. Intelectuais sérios e honestos que tenham lido os escritos de Fernando Henrique e acompanhado sua carreira universitária primeiro e política depois de 1980, sabem que ele nunca foi de esquerda. Ascendeu porque soube aproveitar o momento político, engajando-se no movimento das Diretas Já, preenchendo o vazio de liderança de que éramos vítimas. Atuou como um democrata enquanto isso lhe trazia proveito. Depois...

 FHC governou com apoio uníssono da mídia

 O seu comportamento depois que assumiu o poder é visto por muita gente como democrático. Muitos afirmam que FHC em seu octênio garantiram a democracia. Será verdade? Fernando Henrique bateu o recorde de medidas provisórias; subjugou o Judiciário; alienou o patrimônio nacional; propiciou o sucateamento de amplos setores da indústria nacional; permitiu a corrupção, somente atuando contra aqueles que lhe eram desafeto quando não dava mais para esconder da opinião pública; praticou corrupção comprando votos e concedendo prebendas a políticos; elevou a dívida pública a mais de 50% do PIB, outro recorde histórico; permitiu o enfraquecimento do Mercosul (Mercado Comum dos países do Cone Sul da América Latina, embrião de uma América Latina integrada nos moldes da União Européia); abriu brechas perigosas na soberania nacional, com a cessão da base de lançamento de mísseis de Alcântara, no Norte do País, aos Estados Unidos; apoiou a política belicista do nazista-louco George W. Bush; inflacionou as tarifas públicas e os bens e serviços essenciais; escamoteou do público a verdadeira inflação do real; congelou soldos e salários; favoreceu vergonhosamente os bancos; recorreu três vezes ao Fundo Monetário Internacional (FMI), prejudicando a credibilidade do país no exterior; armou o palco para as maiores maracutaias de nossa história. E fez tudo isso tendo a aprovação uníssona de nossa mídia.

 As duas campanhas eleitorais para Presidente de FHC tiveram como principais fontes de financiamento grande bancos. Não é sem motivo portanto que foram premiados com um programa tipo Proer, e com o consentimento aos pornográficos lucros que esses bancos obtêm a cada ano.

 A democracia que temos está
sendo construída a duras penas pelo povo

 A democracia que temos – mais liberdade consentida que democracia -  não pode ser atribuída a quem quer que seja, pois é a democracia que está sendo construída a duras penas pelo povo e apesar de enganadores como Fernando Henrique. Ainda que conservador, nosso povo nutre a esperança de dias melhores para si e para o país e já percebeu que a democracia é o melhor caminho para se chegar a esse objetivo. E tem mostrado que é capaz de mobilizar-se quando se trata de defender a democracia. São inúmeros os momentos em que o povo saiu as ruas para impor seus direitos.

 Vale lembrar a mobilização que garantiu a posse de Goulart em 1961 e a mobilização pelas por eleições na campanha das Diretas Já, no início dos anos 1980. Vale aqui recordar a esperança que esse povo depositou em Tancredo Neves, que reencarnava a vertente histórica das forças populares deslocadas pela ditadura e a promessa das mudanças em benefício das massas. Ganha atualidade o apelo de Tancredo que não chegou sequer a tomar posse, pois faleceu: “não vamos nos dispersar!”

 Os votos a Jânio barraram o movimento popular

 A bolha democrática do governo de Juscelino Kubitchek – JK - (1956 – 1960) propiciou a reorganização do movimento sindical e grande desenvolvimento dos partidos populares, notadamente do PTB e PCB. Juscelino contrariou os Estados Unidos sugerindo a aliança dos países latino-americanos através da  Operação Panamericana (OPA) e também denunciando e rompendo com os acordos com o FMI. Goulart era acusado de pretender instituir uma república sindicalista no Brasil. Os milhões de votos conseguidos por Jânio Quadros nas eleições presidenciais de 1960, serviram para frear esse processo. Porém, como Jânio era insano, tentou um golpe militar que só não deu certo porque Jango (João Goulart) e Brizola bateram a vara sobre a mesa, o povo respondeu e o Exército se dividiu. Com a renúncia de Jânio, assumiu apoiado pelas forças populares em rebeldia lideradas por Brizola, o vice-presidente João Goulart, principal líder do PTB, com longa trajetória de trabalho junto ao movimento sindical.

 Para as elites e os EUA era
 preciso barrar o ascenso popular

 A bolha democrática se ampliou com Goulart (1961 – 1964). Nas eleições marcadas para 1965 o PTB tinha tudo para sair dela como, senão o maior, pelo menos o segundo maior partido, dependendo de disputar com JK a presidência ou apoiar a candidatura de JK. Para as elites, e para os Estados Unidos, era preciso barrar essa avalanche. O único caminho era o golpe. Alguns governadores concordaram com isso e financiaram a corrupção e até o deslocamento das tropas mineiras. Há farta literatura sobre o envolvimento também da CIA na articulação desse golpe.

Resultado da eleição legislativa de 1962

 

Para avançar é necessária
uma grande Frente de Salvação Nacional

O maior erro dos militares foi
o de acreditar na UDN
e se distanciar da nação

 Seguiu-se a ditadura militar que durou até, digamos, para se ter um marco concreto, a Constituição de 1988. O maior dano causado foi a castração das lideranças políticas, a abertura da brecha entre o Estado e a Nação, a alienação consumista a que foi induzida a classe média; o martírio de mais de uma geração de sonhadores. O maior erro dos militares foi acreditar na UDN e se separar da Nação. Depois da caça às bruxas, não restou alternativa que não a de achar que a restauração democrática seria udenista. Custou-lhes a desmontagem do aparato militar e industrial. Hoje o Exército não tem recurso nem para mobilizar recrutas.

 É a partir de 1980 que se pode falar em recomposição das forças populares, tanto no âmbito sindical como partidário. Havia uma brecha entre gerações dificultando a manutenção da frente que se havia conseguido com o MDB (Movimento Democrático, criado com consentimento da ditadura e que se transformaria em uma grande frente de luta democrática). Divide-se o movimento sindical e  se atomiza a frente política.

 O novo, com a cabeça feita em anos de alienação, não foi capaz de entender a necessidade de casar-se com a vertente histórica, beber na tradição das lutas populares. O velho não foi capaz de adaptar-se aos novos tempos. O imperativo de uma grande frente em torno a um projeto nacional ficou a esperar por momentos de oportunidade. Passamos por quatro eleições sem construir esse momento.

 Este é o busílis da atual conjuntura pós eleitoral. Há condições para se costurar a grande frente de salvação nacional necessária para retomar o projeto de nação e de construção de um desenvolvimento integral e auto-sustentável?

 A direita perdeu uma batalha
mas não perdeu a guerra

 A direita perdeu uma batalha mas não perdeu a guerra. As inúmeras vezes que nossa elite conseguiu reverter processos políticos que lhe eram desfavoráveis ou desafetos formaram uma escola que tem sido seguida por todos os nossos vizinhos  latino-americanos. Vale lembrar as marchas com Deus pela família e liberdade, armadas aqui para derrubar o governo de Goulart, reproduzidas pela direita chilena - os mômios - e agora utilizadas como arma contra Hugo Chaves na Venezuela.

 Tampouco se pode perder de vista que nunca antes na história do Brasil se teve os meios de comunicação em uníssono a serviço da antipátria. Sem dúvida esse é o maior gargalo a impedir a marcha do processo de democratização e de desenvolvimento do país. Pensamos que saímos de uma ditadura quando na realidade entramos noutra, muito pior, por sutil, a ditadura do capital volátil, que se utiliza de uma elite entreguista e manipula os meios de comunicação a seu bel prazer.

 A constituição de uma frente de salvação nacional, vinculada aos mais de 100 milhões de votos que foram dados aos postulantes dos seis postos constantes da cédula eleitoral eletrônica, inscritos nas legendas de oposição, se vislumbra como o caminho que se tem para avançar.

 Não obstante, sem apresentar um projeto nacional, uma estratégia de desenvolvimento e sem pensar em uma alternativa à alienação, à manipulação que vem sendo e continuará sendo praticada pelos meios de comunicação, não demorará muito para a restauração do poder dos perdedores de outubro, e a retomada do processo de neocolonização.