Lula 52,3 milhões: Início de novo tempo
Saídas para o desenvolvimento:


Textos de Paulo Cannabrava Filho*

Introdução A questão
política
Cenário
internacional
Crise econômica Início Conclusão
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Para voltar a crescer
mais de 4% ao ano
é preciso destinar
35% do PIB para investimento
Objetivamente, a retomada do desenvolvimento requer a transposição de quatro grandes obstáculos: 1) Dívida pública (interna e externa); 2) Déficit em Conta Corrente; 3) Déficit de Energia Elétrica; e 4) Dívida social (combate à miséria.
Subjetivamente há os obstáculos: pressões globalizantes; permanência de elite e mídia submissas aos interesses do capital financeiro; ausência de partidos bem estruturados para a Frente de Salvação Nacional

O grande problema para o novo governo é o de
gerar recursos para o desenvolvimento

O problema fundamental para o novo governo, é o de conseguir recursos para iniciar sua caminhada, seja na direção que for, mas com propósitos de desenvolver o país e corrigir injustiças sociais. Lula demonstrou ter consciência, em sua campanha, de que sem investimento não há crescimento e sem desenvolvimento não há emprego.

 O PIB brasileiro é irrisório diante dos recursos naturais, de infra-estrutura,  tecnológicos e humanos de que dispomos e das necessidades de desenvolvimento. Desde o início da década de 1980 se fala em modernizar o país e o que se conseguiu nas duas décadas foi reduzir a produção industrial. A modernização almejada, o Brasil potência, só será alcançada triplicando, ou mesmo quadruplicando nosso PIB em programas de menor prazo possível.

 Para crescer a taxas superiores a 6% ao ano é preciso que se destine pelo menos de 30% a 35% do PIB para investimentos, algo como 200 bilhões de dólares na situação de hoje, mais de 20 vezes do que está previsto no orçamento para 2003.

 O governo Lula terá que renegociar os termos dos acordos com o  FMI, que depois da elevação do dólar, passou a exigir um Superávit Primário de 5% do PIB. E terá que renegociar também prazos e juros da dívida externa.

 Claro que diante de uma necessidade desse tamanho o investimento externo é necessário, ainda mais tomando em conta o hábito adquirido de dirigir a poupança interna ao investimento especulativo.

 A poupança externa será bem vinda desde que sempre encaminhada às prioridades nacionais.

 Onde investir

 O investimento chave para o crescimento é aquele dirigido à infra-estrutura no qual a indústria da construção, se priorizada, pode transformar-se em poderosa alavanca para o desenvolvimento econômico. Foi o que fez Roosevelt com o seu New Deal que tirou os Estados Unidos do buraco cavado na crise de 1929. Foi o que se fez na Europa no pós-guerra, com o Plano Marshal. Em circunstâncias bem diferentes, foi o que fez JK no seu governo, com a construção de estradas de penetração e a edificação de Brasília. Ainda hoje nos Estados Unidos e na Europa a indústria da construção é prioridade, recebendo em torno de 30% do total dos investimentos nesses países.

O desenvolvimento integrado e sustentável
exige planejamento

 Construção

 Está constatado que a indústria da construção move todos os setores da economia e é o que gera maior número de empregos diretos e indiretos. Os bens produzidos são perenes e multiplicadores de riqueza. São bens que não podem ser levados pelos investidores. São as estradas, as pontes, os portos, o saneamento básico, a energia elétrica, as moradias populares.

 Essas prioridades que foram anunciadas pelo novo governo constituem o único caminho para se sair do atoleiro e começar a caminhar por terra firme. Vamos ver se é capaz.

 Agricultura

 Outro setor chave fonte de recursos é a agricultura. Nossas extensas terras agricultáveis, com uma política agrícola inteligente, podem gerar abundantes recursos para impulsionar o desenvolvimento. A região Sul/Sudeste do País tem comprovado isso historicamente. São Paulo é o grande exemplo de como a poupança gerada na agricultura desenvolveu o setor industrial. O Brasil tem todas as condições para tornar-se grande supridor de alimentos para o mundo sem contudo ter que voltar a ser um país essencialmente agrícola.

Política agrícola

 Mais do que um problema de reforma agrária, o problema brasileiro é de política agrícola. Toda atividade produtiva requer planejamento. Não se resolve o problema distribuindo terras sem que se tenha definido com anterioridade a vocação da própria terra, sem que haja orientação técnica para seu melhor aproveitamento, sem que haja infra-estrutura para escoamento da produção, sem que haja compradores e preços mínimos.

Ocupação Predatória

 A história da ocupação territorial de nosso país, com raras exceções, é uma depositária de erros. Historicamente, desde a chegada dos europeus, tem sido uma ocupação predatória. O massacre indígena, a destruição das florestas, a monocultura destruidora do meio ambiente, as terras gretadas ou tornadas inférteis devido ao mau uso, já não podem mais ser tolerados.

 Planejamento

 O desenvolvimento agrícola assim como o desenvolvimento urbano devem ser parte de uma estratégia de desenvolvimento integrado com vista a sustentabilidade, dirigido a oferecer à cada um dos habitantes as condições para sua plena realização como ser humano. A grande aspiração da humanidade, consagrada em todos os foros internacionais, é a conquista da paz e a construção de um desenvolvimento ético. Por isso qualquer projeto nacional exige também grande esforço e investimento em educação, saúde, moradia e saneamento.

 Pacto Social

 Para cruzar a tormenta, o novo governo propõe um Pacto Social envolvendo trabalhadores, empresários e classe política. Esse mesmo pacto foi proposto em 1990 e não foi concretizado porque os protagonistas se encontravam divididos tanto conceitualmente como em função de seus interesses específicos. Terão superado essas contradições agora vendo o país no fundo do posso? Tomara!.  Nem na Argentina nem na Venezuela conseguiram formalizar o pacto necessário deixando evidente que sua formação e condução dependem de uma liderança muito forte.